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▼ Postagens (10)
  • NOVIDADES

    29

    Mar
    29/03/2012 às 11h07

    Ola

    Para quem ja leu o livro DESTINO, O INICIO DE UMA SAGA esse blog visa manter o contato com o leitor, divulgando novidades sobre o meu trabalho como escritor.

    Na versao impressa houve alguns erros de impressao e formatacao, pelo fato de nao ter passado por um revisor especializado. Espero que o leitor consiga desconsiderar estes detalhes.

    EM BREVE postarei aqui a sinopse de dois novos projetos. A continuacao do livro DESTINO, e um novo projeto com o nome ainda provisorio, chamado PARANOIAS DA VIDA PRIVADA.

    DEIXE SEU COMENTARIO SOBRE O LIVRO! 

    Se voce deseja um exemplar em EBOOK basta acessar o site www.perse.com.br e procurar pelo nome do livro. ( e necessario fazer o cadastro no site) caso nao tenha paciencia para se cadastrar envie um email para: ad_ribeiro@yahoo.com que eu mando uma copia. 

    Para quem prefere a versao impressa, acesse o site da livraria cultura www.livrariacultura.com.br e procure pelo nome do livro no buscador. 

    MUITO OBRIGADO e aguardem as novidades!

     

     

     

  • Ebook Gratuito Disponivel!

    13

    Mar
    13/03/2012 às 21h27

    Olá Pessoal,

     

    O Ebook do livro DESTINO - O INÍCIO DE UMA SAGA está disponivel no link abaixo. É de graça hein! Absss e obrigado

     

    http://perse.doneit.com.br/paginas/DetalhesLivro.aspx?ItemID=1263

  • LIVRO A VENDA NA LIVRARIA CULTURA!!

    16

    Fev
    16/02/2012 às 22h19

    Fala pessoal, está aqui o link para quem quiser comprar o meu livro através do site da livraria cultura. Por enquanto ainda está sob encomenda, com prazo de 20 dias pra chegar, mas já é na versão impressa, como qualquer livro que se preze!!! Espero que gostem!

    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=11074490&sid=891002079141260674550918

    absss

     

    Andre

  • NOTICIAS

    14

    Fev
    14/02/2012 às 21h55

    Olá Pessoal


    Mês que vem meu livro DESTINO - O INÍCIO DE UMA SAGA, estará sendo vendido nas Livrarias Cultura, na versão impressa, e com um preço bem melhor!

    Para quem comprar, pode continuar acompanhando aqui pelo blog as novidades sobre os meus novos projetos!

    Abs

     

  • DIVULGAÇÃO DO LIVRO

    05

    Fev
    05/02/2012 às 00h46

    Fala pessoal, aqui segue o link para quem quiser comprar o meu livro! Abs

    http://www.clubedeautores.com.br/book/113453--Destino

     

     

  • CAPITULO III

    02

    Fev
    02/02/2012 às 00h30

    DEIXEM O SEU RECADO E SUA OPINIÃO SOBRE O QUE VCS ACHAM DO LIVRO! É MUITO IMPORTANTE PARA UM ESCRITOR! ABS

     

    CAPÍTULO III


    Se havia alguém neste mundo cauteloso, inteligente e ao mesmo tempo curioso e desastrado, esse alguém era Joaquim, meu melhor amigo. Nem me lembro do dia em que nos conhecemos, mas me lembro de meros detalhes da infância, como de quando eu roubei o palhaço de madeira dele e o plantei junto com os pés de Mamona no quintal de casa, Joaquim chorou durante uma semana inteira, e quando sua mãe perguntou-me o porquê de eu ter feito tal maldade, eu disse que apenas esperasse crescer um pé de palhaços de madeira, para assim devolvê-lo a Joaquim. Mas isso foi há muito tempo, eu deveria ter no máximo uns cinco anos de idade. Às vezes á certos acontecimentos em nossas vidas que parecem tolos, mas são como pontos chave, coisas que nós nos lembramos de maneira incrivelmente nítida, mas que se julgarmos, não tiveram a menor importância para mais ninguém. Joaquim sempre pesava aquilo que fazia, e por incrível que pareça eu também pensava mais ou menos igual, porém, eu gostava de provocá-lo, e de ver até onde ele era capaz de ir, chegando a conclusão de que éramos muito parecidos, mas com a leve diferença de que ele tinha responsabilidade. A primeira coisa que Joaquim pensava quando íamos ver as garotas tomarem banho nuas no Rio, era saber o que iria acontecer se uma delas nos avistasse e contasse para nossas mães. E eu dizia uma frase que meu Pai costumava me dizer “Sem risco não há emoção” e eu acredito fielmente nessas palavras. Acho que temos que descobrir de tudo na vida, e buscarmos as coisas que nos digam ser as mais impossíveis, apenas para termos a certeza, e podermos discernir o certo do errado, e saber quais são os nossos limites.
    Os Pais de Joaquim, Dona Amália e Sr. Geraldo eram muito amigos dos meus Pais, e isso fez com que praticamente nos tornássemos uma única família, Joaquim era como um irmão para mim. Dona Amália era descendeste do povo do Leste, e seu Pai, do povo do norte, essa mistura de raças deu a Joaquim uma pele morena, de rosto levemente arredondado, olhos grandes, escuros como a noite e serenos como os de uma Pantera. Seus Cabelos escuros e ondulados davam-lhe um estilo único. Muitas vezes nós discutimos e brigamos, mas como sempre, Joaquim me mostrava que eu estava errado, e afinal, é para isso que servem os amigos, não é?


    As cortinas do quarto se abriram lentamente, fazendo uma claridade cintilante invadir todo o ambiente aos poucos. O homem que estava sentado a poucos metrôs da imensa janela, apertou um pouco os seus olhos escuros como a noite, sem ao menos criar uma linha em sua expressão. De onde estava podia apreciar tudo aquilo que lhe pertencia, que fora conquistado ao longo de uma vida, e que agora era dominado com um pulso de aço. Seus pensamentos voavam longe quando uma voz invadiu sua mente como um estouro. - Senhor? - Já disse que não quero ser incomodado! - Exclamou a voz firme do homem. - Eu sei, senhor. Mas trago notícias dos Portões. Parece que alguns soldados foram mortos por... - Como aconteceu? - O homem não pareceu esboçar qualquer expressão, e manteve sua voz friamente assustadora  - Foram mortos...senhor, quatro soldados e dois guardas. - Você ouviu a minha pergunta? - Sim, sim, senhor. Parece que três homens montados a cavalo atiraram contra eles e fugiram em direção ao Vilarejo. - Atiraram? - Foi o que disseram, senhor.  - Chame o chefe da guarda. Agora. - Passaram-se apenas cinco minutos quando o Chefe da Guarda do Castelo do Imperador batia a porta de seus aposentos. - Bom dia, Senhor! O Se... - Você recebeu as noticias dos Portões? - O chefe que mal terminara de pronunciar seus cumprimentos e já era interrompido, postou-se a falar, porém, sabendo que suas palavras pouco importariam naquela hora. Ele estava encrencado. - Sim, Senhor. Já estamos investigando os autores. São forasteiros, Senhor. - É claro que são forasteiros. - Disse o Imperador de forma ríspida, e permanecia sentado em sua suntuosa cadeira de carvalho inglês, diante da imensa vidraça, sem alterar sua expressão fria e pálida. - Eles tem armas de fogo. Mas me diga como três cavaleiros conseguem passar de uma segurança de cinquenta soldados? - Senhor... - Não quero desculpas. Eles estão no Vilarejo. Ache-os. - Mas, Senhor. Não sabemos se realmente estão no Vilarejo, ninguém os viu chegar. Podem estar em qualquer lugar. - Apenas faça o seu trabalho, Chefe. Ache-os a qualquer custo. Você errou, você corrigirá. Ninguém invade as minhas terras e mata os meus soldados. - O Chefe da guarda abaixou a cabeça e assentiu o que lhe havia sido ordenado. - Eu estou lhe dando a chance de se redimir perante seu erro grotesco. Considere isto. - E sem meias palavras o Imperador encerrou o assunto sem ao menos olhar para o homem com quem acabara de dialogar. A porta fechou atrás de si. Apesar de sua aparência fria e destemida, o homem mais poderoso daquelas terras sentia um medo crescente. À algumas noites um terrível pesadelo o pegara desprevenido, e ele não podia negar, o que quer que havia aparecido em seus sonhos começava a tomar forma, ele teria de agir rápido, seu poder estava prestes a ser desafiado por uma força jamais imaginada. 

    O dia seguinte nasceu chuvoso, olhei pela janela e apenas vi enormes nuvens brancas, as terras tornaram-se barrentas e avermelhadas, e ao invés dos pássaros alegres cantarolando pelos cantos, era apenas o fino barulho da garoa caindo sobre as folhas de cada árvore o que podia se ouvir.     - Bom dia Valentin! Já de pé?! É melhor se agasalhar, pois o dia hoje está frio! - Disse minha mãe, com o rosto moreno e aceso de quem já havia despertado à tempo.     Troquei minhas roupas e fui à sala tomar meu café da manhã, surpreso por ouvir uma conversa entre meu pai e um outro homem vinda da varanda. Todo caso, prossegui até a sala.     Peguei um naco de pão e uma xícara, e nela derramei o leite puro da vaca Lurdez, quando fui surpreendido pela entrada de meu Pai na sala.     - Ei Rapaz, quero que conheça nosso novo vizinho, o Sr....- Um homem de cabelo grisalho comprido até os ombros, entrou em casa e fitou-me de cima a baixo - Olá - Voltou seus olhos para o meu pai. - Mestre, pode me chamar de Mestre. - Não quer tomar um café, Mestre? - Perdoem-me a pressa, mas acho que já está na hora de meus afazeres. - Está certo, passe mais tarde para continuarmos o assunto. - Com certeza. Até logo. Até logo Valentin. - E com um aceno em seu chapéu cor de cobre, o homem deu as costas para nossa casa. - Quem é esse homem? - Perguntei sobressaltado, pois nunca o vira antes. - Um conhecido, mora do outro lado do rio. - Disse meu pai, sem me lançar qualquer olhar. - Eu nunca o vi por aqui! - Exclamei deixando claro que aquilo era estranho.  - Tem muita gente que você nunca prestou a atenção por aqi, meu filho. - Disse ele mais uma vez evitando olhar pra mim. - Sobre o que conversaram? - Perguntei curioso ao meu pai, que se mantinha no batente olhando o céu acinzentado. - Coisa de adulto. - E só. Ele se calou e voltou para dentro da sala sem dizer qualquer palavra, mas seus olhos demonstravam preocupação.      Quando pus os pés para fora de casa, a voz de Joaquim soou ao meu lado, ele conversava com o velho Nébias. - Eu disse que eram bandidos! Provavelmente já roubaram alguma coisa e foram embora. - Bradou o velho, olhando na direção onde outrora havíamos visto as luzes das fogueiras.  - O que houve? - Eu perguntei, chegando mais próximos dos dois. - Ninguém chegou. Se tinha algum acampamento não tem mais. - Disse-me Joaquim, apontando os dedos na mesma direção em que o velho Nébias estava olhando. - Mas nós vimos! Eram centenas de pessoas! - Eu exclamei, achando impossível acontecer aquilo. Eu tinha certeza do que tinha visto. - Na verdade nós não vimos não, Valentin. Estava longe, para mim parecia barro deslizando por causa da chuva. - Não era não. E o que eram as fogueiras de acampamento ontem a noite?  - Pode ter sido acampamento de alguém aqui do Vilarejo. - Disse Joaquim meio que para disfarçar o fato de não ter certeza.  - Ninguém pode acampar por lá, você sabe disso. Bastaria acender uma tocha e os soldados já estariam lá para soprá-la. - E ao termino dessas palavras, o som inconfundível dos cascos dos cavalos do Imperador soaram por toda a rua. Eu fui tomado por um medo instantâneo que me arrepiou até o ultimo fio de meus cabelos. Os doze cavaleiros mascarados passaram velozes por nós, mascarados, com suas fardas negras balançando ao vento. - Cuidado! - Em um súbito reflexo, puxei Joaquim pela camisa, prestes a tomar um tranco de um dos cavalos. - O que está acontecendo? - perguntei assustado. - Caramba! Essa foi por pouco. - Eles devem estar indo saber que luzes eram aquelas ontem. - Exclamou o Sr. Nébias. - É, pode ser. Mas estão um pouco atrasados. - Eu ainda sentia o vento gelado que os malditos cavalos jogaram sobre nós, e os via trotar na direção da montanha ao Norte. - Vamos, Valentin. Vamos lá para baixo. - Chamou-me Joaquim. - Cuidado, garotos, muito cuidado com esses corvos. Hoje eles não estão de brincadeira. 
    Eu e Joaquim descemos a ladeira de casa ainda intrigados, ao final da rua, Joaquim se despediu e seguiu em direção a sua casa, e eu, queria averiguar que tensão era aquela que continuava a pairar por todos os lados. Ao atravessar a pequena ponte que passava por cima do rio das almas, de águas barrentas e agitadas, vi um aglomerado de pessoas frente a mercearia do Sr. Malaquias. Segui até o monte de pessoas, e notei que não estavam ali ao acaso, podia ouvir o murmúrio da confusão.     - A Meu Deus! Que tragédia!     - Tirem as Crianças e as mulheres daqui!      - Como isso pode acontecer!        Perguntei ao Sr. Benedito o que havia acontecido, ele era o dono da farmácia, e ordenou-me um tanto triste.     - Vá chamar o Padre Miguel Afonso, depressa! - Corri até a Igreja, o Padre Miguel encontrava-se em seu quarto, nos fundos da Igreja.     - O que deseja, meu Jovem? - Perguntou-me o Padre.  - Há um tumulto em frente à Mercearia do Sr. Malaquias, e o Sr. Benedito mandou-me avisá-lo! É para que o Senhor vá imediatamente!
    Alguns minutos depois, o Padre Miguel e eu descíamos o monte onde se localizava a Igreja.     - Abram passagem para o Padre! - Ordenou um dos homens que estava no meio da multidão. E então eu fiquei logo atrás do Padre, e assim consegui ver o que de fato havia ocorrido. - Santo Cristo! - Exclamou o Padre Miguel fazendo o sinal da cruz, e quando olhei, fiquei completamente paralisado.Debruçado sobre o balcão estava um homem, havia muito sangue à sua volta, o odor era forte. Eu jamais tinha visto alguém morto em toda minha vida, foi aterrorizante, senti um calafrio trespassar minha espinha como se fosse me partir ao meio. Acho que jamais esquecerei esta terrível cena.  - Que Deus abençoe a alma do Sr. Malaquias! - Novamente disse o Padre levando seu terço a boca.  - Como sabe ser o próprio Malaquias? Está sem a cabeça! - Perguntou um dos homens a minha volta, e o Padre, que notara à ignorante pergunta rapidamente respondeu. - Devido aos trajes e ao local, supomos que seja o dono da Mercearia, o Sr. Malaquias, ora! - Seus olhos se voltaram então para o meu lado. - Valentin! Saia imediatamente! Você é jovem demais para testemunhar tal tragédia! E não era realmente algo agradável de se ver, acredito que existem certas coisas na vida que jamais estaremos preparados para ver, não importa se com dez, quinze ou cinquenta anos de idade.     

  • CAPITULO II

    25

    Jan
    25/01/2012 às 13h54

    CAPITULO II

    O barulho era ensurdecedor. Nada rangia como aqueles velhos portões gigantescos que mantinham o mundo afastado das terras do Imperador. Com mais de dez metros de altura, e mais largos do que um homem, os velhos portões eram o centro da enorme muralha que circundava o Vilarejo, em um raio de mais de trezentos quilômetros, e se abriam para a entrada da caravana que vinha do norte. O Comercio não era constante no Vilarejo, apenas a lã de ovelha e o ferro eram exportados, mas nada de fora entrava, nenhum produto. Pelo menos não pelos meios legais, via rota do norte, como era chamado o caminho que levava dos portões para o norte das terras. Mas alguns habitantes sabiam que pelo rio das almas, algumas pequenas embarcações se arriscavam em um tráfico de livros, carnes, peixes defumados, e coisas do mundo a fora, que eram ainda mais raras por lá. O ranger das enormes dobradiças de ferro era quase um sinal de esperança, ou de terror. Raramente eles se abriam, mas hoje, hoje era uma data especial, a historia do Vilarejo estava prestes a mudar, o mundo iria mudar. O soldado Oliveira apoiava suas mãos na madeira de um dos portões, ajudado por mais de trinta homens que faziam força junto com ele, encarregados de abrir passagem aos transeuntes que estavam prestes a cruzar aquelas terras.

    - Alguém podia colocar um óleo nessas dobradiças, não? - Sussurrou ele com sua testa franzida e o ouvido apitando.
    - Teríamos de pegar todo o óleo do mundo para acabar com este barulho! - Respondeu o soldado ao lado, bufando. A poeira ainda caia após alguns minutos da abertura dos portões, e a caravana começava a adentrar as novas terras. Famílias inteiras, cavalos, suprimentos para toda uma vida no lombo dos burros. O mundo se abria a frente do povo que migrava, mas a expressão em seus rostos não era de alegria. Se estavam se mudando, provavelmente é por que para trás, deixavam algo pior.
    - Vamos! Andem! Andem! - Apressavam os soldados mascarados a volta das famílias, escoltando a imensa fila que ia para além do horizonte. 
    - O que esse povo vem fazer por aqui? - Perguntou o Soldado Oliveira assim que a caravana passava por ele.
    - Esperança, talvez. - Respondeu o soldado ao seu lado, observando o semblante triste e cansado das pessoas a sua frente.
    - Esperança? Você está de brincadeira? Que esperança tem naquele Vilarejo? Isolado do mundo? Você acha que o Imperador está acolhendo essas pessoas de bom grado?
    - É, é estranho.
    - Parem! - ordenou um Soldado Mascarado a frente da caravana, em uma bifurcação de trilhas que adentravam na floresta a frente, montado em seu cavalo de um marrom puro e brilhante. Com uma postura completamente ereta, o soldado trajado com a farda negra, ordenou que as pessoas se separassem.
    - Os homens que estiverem saudáveis devem seguir por esta trilha, as mulheres, crianças e doentes deverão seguir pela outra. - Ao final das palavras abafadas do Soldado, a bagunça começou. Aquela ordem soou como um tiro no ouvido das pessoas. Eram famílias, pais, mães e crianças, ninguém queria se separar. O choro, os gritos, e as palavras cuspidas foram abafadas pelos cascos dos cavalos que invadiam a trilha principal para separá-los.
    - Estava calmo demais para ser verdade! Vamos! - E os dois soldados, que já estavam exaustos de abrir os portões, correram para ajudar a conter o drama daquele povo sofrido.
    - Vocês voltarão para suas famílias em breve! - Gritou o Soldado, tentando em vão, por fim ao tumulto.
    - Vamos, andem! - Ambas as trilhas iriam cair no Vilarejo, porém, durante o trajeto que durava alguns dias através da Grande Floresta, os homens eram treinados e doutrinados para a vida que os esperava, enquanto suas famílias agonizavam o sofrimento e a incerteza de ter o Pai e o Marido de volta.  Quando o tumulto parecia resolvido, os homens de cabeça baixa seguiram por uma trilha, e suas famílias por outra. Mas três homens montados em cavalos magros, se mantiveram estáticos, e tamanha audácia despertou a fúria do Soldado Mascarado.
    – Ei! Vocês são surdos?! Sigam para a trilha. Agora!
    - Não, nós não queremos. As mulheres e crianças precisam de proteção. Nós não confiamos nesses corvos malditos! - Com palavras proferidas de maneira calma, o homem de chapéu de couro encardido, e olhos afiados, parecia ter dado um murro na cara do Soldado mascarado.
    - Como disse? - Perguntou o Soldado mascarado já desembainhando sua espada, que assobiou ao sair da bainha. Sua ira havia chegado ao limite. Os cascos do seu cavalo começaram a bater forte no chão de terra batida, em uma velocidade excepcional em direção aos três desafiantes, com sua espada cortando o vento, nada poderia pará-lo.  Pode parecer estranho, mas o homem de olhos afiados e seus dois amigos ao lado não se intimidaram nem um pouco, apenas ergueram seus revolveres e disparam três tiros avassaladores contra o Soldado mascarado, que voou de encontro ao chão, imóvel. A frente daquela cena, estavam dezenas de guardas das muralhas, que assistiram ao improvável e inesperado espetáculo sem ter qualquer reação. Jamais alguém ousou enfrentar um dos Soldados Mascarados do Imperador.
    - Um tiro?! - Exclamou o soldado Oliveira, virando-se para trás, e olhando o movimento a distancia. Os soldados não tem armas de fogo! Pensou ele, mas já era tarde. Antes que pudesse esboçar qualquer reação, os três  cavaleiros a sua frente disparavam tiros na direção de todos a sua volta, e saiam velozes pela trilha por onde as mulheres e crianças haviam seguido a poucos instantes. Ao abrir os olhos e  se desdobrar para ver o que havia acontecido, o Soldado Oliveira pode apenas ver a poeira levantada pelos cavalos, galopando a todo gás a sua frente, e a marca do chumbo no portão atrás de si. O Imperador não irá gostar de saber disso! - Pensou oliveira.

    O clima no Vilarejo estava diferente. Não sabia explicar, mas eu via na expressão das pessoas, todos muito tensos, tentando disfarçar um certo “temor”. Eu vinha notando aquilo já de alguns dias para cá, mas não havia comentado nada com ninguém, nem com o Joaquim, mas ele percebia minha reação.
    - Humm, já sei, você tá preocupado com alguma coisa, não é? - Disse Joaquim com sua cara gorducha, enquanto assistíamos o tempo passar diante de nós, sentados na varanda de casa. - Não, não muito. Só acho que está um clima estranho por aqui, você num acha não?
    - Como assim? - Ah, sei lá. Parece que tá todo mundo preocupado com alguma coisa, com medo. Vê? A dona Maria sempre fica até o sol se por na varanda dela – Eu disse apontando para a casa de frente. - Agora não são nem quatro da tarde e ela já fechou a porta com uma cara de assustada!
    - É, pode ser. Meu pai ouviu falar de umas coisas estranhas também.
    - Que coisas? O que? - Perguntei ávido por satisfazer minha curiosidade.
    - Eu não consegui ouvir direito. Mas acho que ele falou algo sobre o Vilarejo crescer. Acho que vem gente nova pra cá!
    - Pô, e porque você num me falou isso antes? Faz sentido. Mas de onde vem esse pessoal?
    – E eu vou saber, nem sei se é isso mesmo!
    - Deve ser sim. É por isso que o pessoal tá assustado. Vai saber que tipo de pessoas vão vir morar aqui por perto.
    – Pois é! - São todos prisioneiros e mendigos! - Exclamou a voz do Sr. Nébias, invadindo a conversa já que estava agachado retirando o mato de sua horta bem ao lado de casa.
    - Dizem que o Imperador vai usá-los para trabalho escravo no castelo e aqui no Vilarejo! - Serio? - Perguntou Joaquim, assustado.
    - Não diga besteiras, Sr. Nébias. - Disse meu pai, que subia os três degraus da varanda para entrar em casa. - Vai assustar as crianças. Nenhum bandido nem mendigo vai vir para cá não. Quem andaria quinhentos quilômetros atrás de um Vilarejo no meio do nada?
    - E outra, ninguém passa daqueles Portões! - Acrescentou o pai de Joaquim, que também chegava para aumentar a discussão. - Como vai Boni? Como vai Valentin? - Cumprimentou o Sr. Geraldo, sempre muito educado.
    - Tem razão, entre Geraldo, eu quero dar uma palavrinha com você. - Respondeu meu pai, abrindo a porta de casa rapidamente.
    - Mas se vão ser úteis para o Imperador, ele abriria! - Continuou o Sr. Nebias, um tanto quanto mal humorado, e com raiva do meu pai por não ter lhe dado confiança. E por mais alguns dias aquele clima estranho e tenso pairou sobre todos no Vilarejo, e as historias só pioravam. Ao final, ninguém sabia exatamente de onde o boato de que outras pessoas estariam vindo para cá surgiu, aparentemente um dos serviçais do castelo do Imperador ouvira algo a respeito e resolveu espalhar a noticia, sem ter a noção do alvoroço que causaria. - Não chove faz tempo, não é? - Disse Joaquim tentando puxar assunto, enquanto rolávamos pedras morro abaixo, já próximos da floresta.
    - Bom, lá pra trás tem umas nuvens que dizem ao contrário. - Eu disse apontando para o outro extremo do Vilarejo. 
    - Caramba, é verdade. Alias, já deve estar chovendo bem forte por lá, tá cheio de barro já se formando embaixo. - Falou Joaquim, apertando os olhos para ver a imagem que estava a quilômetros de distancia.
    – Devem ser as árvores balançando com o vento.
    - Não, não parecem árvores, são menores, estão se mexendo, vindo pra cá.
    - Espera...- Aquilo não era barro, e tampouco árvores.
    - Eu sabia!

    As silhuetas dos três cavalos magros e famintos indo rumo a casa abandonada do velho Jerônimo, aos pés da serra, surgiam discretas através da tarde que caia. Logo anoiteceria, e os três forasteiros poderiam entrar na casa com mais segurança. Um deles era grande, troncudo, pele clara, olhos escuros pequenos e finos como os de um oriental. O outro, tinha a barba por fazer, era um tanto magricela mas tinha ombros largos, uma pele um pouco mais morena devido ao sol, olhos azuis turquesa afiados, astutos, um cabelo liso e grisalho escorrido por de trás das orelhas cravadas no chapéu. O Terceiro homem tinha uma aparência sossegada, um nariz grande curvado, olhos escuros esbugalhados, uma grande barba negra e mãos fortes que carregavam três malas e não pareciam tão cansadas assim.
    - Graças a Deus! - Exclamou o homem de olhos afiados.
    - Essa é a casa, Mestre? - Exclamou o homem troncudo ao lado.
    - Sim, lembrem-se... - Frisou o homem de maneira extremamente seria. - Discrição! Nada de luzes, nada de movimento aqui na parte de cima. A casa está abandonada a anos, e todos devem continuar pensando assim.
    - Aqui em cima? - Perguntou o homem troncudo, expressando uma leve surpresa. - Como assim?
    - Você verá. - Assim que os três homens se aproximaram da casa, logo desmontaram de seus cavalos e trataram de escondê-los no estábulo atrás da casa, procurando ao máximo tapar as aberturas para que os animais não ficassem a vista. De maneira ágil arrombaram a porta dos fundos, e em poucos minutos já se sentiam confortáveis e aconchegados.A Casa era grande, com três grandes janelas com vista para as montanhas da serra e ao longe as pontas afiadas das torres do castelo do Imperador. O assoalho de madeira velha, rangia aos passos dos homens, e as teias de aranha sob o teto e abaixo de uma velha mesa encostada ao fundo da sala principal, davam um ar fantasmagórico pelo ambiente. Alguns móveis ainda permaneciam, cobertos por lençóis finos e amarelados pelo tempo, provavelmente os únicos a testemunhar os acontecimentos dos últimos dez anos daquele cenário frio e sem vida. A casa pertencera ao Sr. Jerônimo, um velho ranzinza e manipulador que prestava serviços de espionagem para o Imperador, e que sumira da noite para o dia, sem ao menos deixar alguma pista. Sem nenhum parente por perto, ou alguém de sua confiança, seu único bem material, a casa, agora padecia aos pés do senhor do tempo, e servia de abrigo para traças, ratos e aranhas, que se penduravam pelo grande lustre prateado que pendia frouxo do teto de forro descascado. O terceiro homem, o de olhos esbugalhados, não falava, apenas observava tudo ao seu redor com extrema atenção e desconfiança. 
    - O Alçapão deve estar no quarto à...
    - Direita. - Completou o homem, que enfim pronunciara algumas palavras. - No quarto a direita, sob o tapete.
    - Muito bem. - olhou o homem de olhos afiados, com um leve sorriso entre os dentes.
    - Mestre, quando começaremos? - Perguntou o homem troncudo, que andava de forma extremamente cautelosa sobre as medeiras soltas do assoalho velho e empoeirado. 
    – Em breve. Essas foram as ultimas palavras daqueles homens naquela noite, que ecoaram pela casa vazia e sem vida, tornando a noite que começava a cair escura e sem lua, ainda mais fria e solitária. Os três forasteiros que desafiaram os Soldados mascarados, agora jaziam sob um teto, depois de meses cruzando as novas terras. Era o inicio de tudo, o sofrimento valeria a pena.

     

    - Veja! Consegue ver daqui? - Apontei para uma pequena luz, distante da janela de casa, tentando mostrar ao meu pai.
    - Tem certeza? Vai ver são só vaga-lumes! - Exclamou ele.
    - Pois é, talvez um de um metro de altura! Deixe de ser bobo, Pai, é um acampamento, aquilo é uma fogueira! Veja, tem mais umas duas para trás.
    - Tá, que seja, alguém vai se dar mal de fazer acampamento uma hora dessas. Se os soldados os pegarem estarão fritos.
    - São eles, pai! As pessoas que virão para cá.
    - Como você sabe? - Eu vi, do alto do monte. São muitos.
    - Você tem certeza? - Perguntou ele, começando a fechar o semblante, e caminhando devagar de volta para sua poltrona frente a uma lareira crepitante.
    - Tenho. - Ele me olhou com aquele olhar firme de quem não está de brincadeira, e ao invés de sentar-se na poltrona, girou sobre seus calcanhares e rumou em direção a porta.
    – Aonde vai? - Quero saber se mais alguém viu. O Geraldo deve saber de alguma coisa.
    - E antes de chegarmos ao fim da escada de nossa varanda, demos de cara com o Pai de Joaquim, o próprio Geraldo, acompanhado de mais dois vizinho incheridos, todos com expressões bem preocupadas, carregando nas mãos um lampião aceso cada. 
    - Vocês viram as luzes? - Perguntou-nos o Sr. Geraldo, aproximando-se rápido e gesticulando de maneira nervosa.
    - Sim, vocês já sabem o que são? Nós estávamos justamente indo atrás de você para perguntar.
    - São eles, eu sabia. - Exclamou o Sr. Nébias, que mais uma vez brotava em meio aos nossos assuntos com seus comentários maldosos.
    - Vieram para acabar com o nosso sossego, é o fim desse Vilarejo. 
    - É um acampamento, com certeza. Devem ser muitas pessoas porque eu já contei mais de dez fogueiras. - Disse o Sr. Geraldo.
    - Bem, acho que só nos resta esperar. Quem sabe essa nova gente não nos traga ventos de esperança. - Falou meu pai, de forma poética, divagando, como se recitasse um poema para o céu.
    - Será que podemos conversar, Bonifácio? - Perguntou o Sr. Geraldo, esboçando ainda uma maior preocupação.
    - Claro, entre. - Bom, eu acredito que toda criança já deve ter feito isso um dia, mas eu não recomendo. Ouvir a conversa de seus pais, escondido atrás da porta é muito interessante, mas se você for pego terá sérios problemas. Os dois entraram para conversar no meu quarto, que era mais isolado, e eu e Joaquim, que surgira poucos instantes depois na porta da minha casa, os seguimos com cuidado, e ficamos a espreita de trás da porta. A conversa era séria, e isso tornava tudo ainda mais emocionante.
    - Acredita que eles estão junto com essas pessoas? - Perguntou o Sr. Geraldo de maneira preocupada.
    - Com certeza. Quer dizer, isso se eles conseguiram passar pelos Portões.
    - Acho muito arriscado isso, Boni. Essa atitude pode ser radical demais, e comprometer a nossa segurança!
    - Que segurança? Você se sente seguro com esses  malditos Corvos nos cercando por ai? Pagando mais do que estamos recebendo? Isso tem que mudar, Geraldo! - Exclamou meu pai, mantendo o tom de voz baixo.
    - Eu sei, mas...eu...eu só não quero me meter em encrencas. 
    - Eu entendo. Mas, pense a respeito.

     

  • CAPITULO I

    20

    Jan
    20/01/2012 às 19h50

    Olá Pessoal, vou deixar alguns capitulos disponiveis aqui! Espero que gostem.

     

    INTRODUÇÃO

     

    “O Destino é uma divindade sem visão, nascida da Noite e do Caos, é a mais poderosa das Divindades. Todos os elementos da natureza e até o inferno faziam parte do seu império. Júpiter, o mais poderoso dos deuses, não pôde aplacar o Destino, nem a favor dos outros deuses, nem a favor dos homens. Suas leis foram escritas desde o princípio da criação em um lugar onde os deuses podiam consultá-las. Para mostrar que era inflexível, os antigos o representavam por uma roda que prende uma cadeia. São as leis cegas do Destino que tornaram culpados a tantos mortais, apesar do seu desejo de permanecer virtuosos. Só os oráculos podiam revelar o que estava escrito no livro do Destino”

    Quando Écloto, o Aventureiro, atracou seu barco nas areias vermelhas das terras do norte, foi dado o início de uma nova Era. Trazendo costumes de uma terra distante e pouco conhecida, o aventureiro grego desbravou as terras novas, descobrindo novos povos, com diferentes culturas e tradições. Essa mistura de ideias e costumes, motivados por sua mente revolucionaria, criaram a Nova Mitologia, que unia os Deuses gregos do Olimpo, aos novos Deuses que ele passou a cultuar e a acreditar.

    O Tempo passou, sua fama cresceu junto com a ambição de conquistar riquezas na terra nova, e o pequeno povoado que havia descoberto no meio do nada, tornava-se um grande Vilarejo. Lá ele descobrira ouro, ferro e bronze em abundância. Aprimorou armas e instrumentos utilitários, como facas, lanças de pesca e armadilhas para a caça, levando a todos sua inteligência, destreza e cultura.

    Em meio a sonhos e trabalhos, eis que em sua vida, uma linda mulher de nome Jasmine surge para afagar seus sentimentos ambiciosos, e essa paixão aterradora lhe presenteou com sete filhos.

    Mas seu destino tornou-se incerto, e o que Écloto havia erguido com ambição e suor, os Deuses levariam como as águas do rio levam um barco. Uma tempestade impiedosa arrasou o Vilarejo, mostrando a todos que os Deuses não estavam contentes. A voz do próprio Zeus soou aos ouvidos do aventureiro, dizendo um homem ser incapaz de crescer sem ofertar algo de si, e a punição seria severa. O preço cobrado foi alto, na fúria dos Deuses a vida de seis de seus filhos foram tiradas, e um templo deveria ser erguido, mostrando sua submissão as forças maiores da natureza.

    Écloto reconheceu seu erro, pelo tempo que esteve no Vilarejo, o homem havia esquecido do principal em sua vida, a fé. E a vida o cobrou. Os deuses castigaram-no, e tudo o que havia ganho, se esvaíra como pó jogado ao vento.

    E como se não bastasse, seu ultimo e agora único filho revoltara-se perante o pai submisso, e partira para o leste. Os gigantes do Olimpo foram cruéis com o jovem Ératlon, e isso ele não podia suportar. Seu coração carregado de ódio não compreendia o porque de continuar vivo e ver todos os seus irmãos morrerem oferecidos como animais.

    Ératlon passara dez anos nas terras do leste, junto ao povo que habitava as Cavernas Negras. Eram rudes, ignorantes em seus modos, porém sábios perante a vida. No momento em que mais precisavam, o Jovem rapaz chegou, e com sua destreza e treinamento com armas que herdara do pai, Ératlon, o guerreiro exilado, tornou-se o líder daquele povo pitoresco, que crescia ano após ano.

    O tempo trouxe a maturidade, e com ela a visão plena de seu destino. Em um sonho, viu sua própria morte, dolorosa e sofrida. Um exército viril e feroz cobrindo as montanhas como um tapete das trevas e o seu povo nativo sucumbir as novas forças. O medo o invadiu, não era apenas um sonho, era uma premonição. Suas terras seriam tomadas, e o vilarejo onde nascera seria devastado. Essa era sua única certeza. De seus novos aliados, Ératlon tirou um grande exército de mil homens, e marchou de volta para sua terra, esperando não ser tarde demais.

    Durante um mês o jovem guerreiro liderou seu exército por florestas e montanhas, incansavelmente, até se aproximarem do Vilarejo aos pés da serra. De seu pai esperava o perdão por ter fugido, e o agradecimento por trazer-lhes a proteção, mas o que recebeu não o agradou.

    A sua frente se erguia um gigantesco templo em homenagem aos Deuses, diante de seus olhos. Os mesmos Deuses que assassinaram seus irmãos e submetera seu pai como um cordeiro afugentado. A ira tomou conta do coração do rapaz, e seus olhos se fecharam diante da sanidade. O templo fora destruído junto com o colosso de Arboret, o deus das chuvas, e o exército de mil homens cercou o Vilarejo.

    - Porque fez isso, meu filho? - Perguntou Écloto em um sumo desespero, expressado em seu rosto velho. - Já não me tiraram o suficiente? Eu ofertei o templo para mantê-los desacordados, e agora você vem e os desperta novamente!

    - Como pode submeter-se a isso, meu pai?! - Perguntou Ératlon, desolado. - Você me ensinou a lutar, e agora me dá o exemplo da derrota e submissão?

    - Não se luta contra os Deuses, Ératlon , meu filho! Pois eles tem o poder do destino nas mãos.

    - Você deu sua vida, seus filhos e o seu povo aos Deuses, e o que recebera em troca?

    - Quando ergui este povoado e o alimentei de esperanças, fui ganancioso, e a vida me cobrou o preço justo. Depois disso vivi dez anos de sossego e paz celestial. Agora você vem e traz a tona outro erro que cometi na minha vida, o de não tê-lo controlado quando ainda era jovem.

    - Trago a proteção para nós, meu pai! Esqueça esses Deuses que só lhe fizeram mal, e nos trouxeram tristezas. Consegui chegar a tempo da grande invasão e trouxe comigo mil guerreiros.

    - Você só trouxe a destruição. Agora só me resta ofertar uma coisa. Talvez assim nosso povo não seja mais castigado.

    E com um punhal encravado no próprio peito, Écloto, O Aventureiro, caia aos pés de seu filho, que atordoado e em prantos, ordenou a tomada do Vilarejo e a destruição de tudo o que remetia aos deuses do Olimpo.

    Ás lágrimas ainda escorriam por seu rosto magro, afilado, e imponente, de seus olhos negros, enquanto segurava o corpo de seu pai. Sozinho, carregando o corpo inerte e sem vida, Ératlon subiu a montanha mais alta da serra, e lá o enterrou jurando uma guerra eterna contra os Deuses. Sobre o corpo de seu pai, ordenou a construção de um castelo, erguido com o suor e a força de seu povo, agora dominado e praticamente escravizado. Os que não queriam trabalhar na construção do castelo, eram obrigados a escavar nas minas de ferro.

    O Vilarejo caia aos seus pés, cercado não somente por seus mil guerreiros trajados com a farda negra, mas por um muro de mais de dez metros de altura, construído num raio de quinhentos quilômetros ao redor do vilarejo, onde a entrada ou saída era estritamente proibida. O povo que um dia lhe serviu de berço, agora tornava-se prisioneiro. O Jovem guerreiro e filho de Écloto, outrora chamado de Ératlon, tornou-se Viktor Honorato, o Imperador das novas terras, comandante dos exércitos do sul e do leste.

    CAPÍTULO I

    A HISTÓRIA

    Os pequenos pingos de chuva caiam sobre a minha nuca, a brisa leve que batia em meu rosto começava a se tornar mais forte. O céu estava escuro como carvão, apesar do sol não ter nascido há muito tempo. Logo os pingos d'água tornaram-se gotas imensas, criando poças por todo o meu caminho, a tempestade batia sobre nossas cabeças como a fúria de todos os Deuses, arrastando poeiras e telhas por todas as partes. A maldição, era a maldição que nos perseguia. Eu corria, corria aflito sem nem mais sentir os próprios pés, mas minhas pernas já perdiam a força, eu queria, mas não conseguia, era o meu fim. Ao olhar para trás, a imensa nuvem negra trazia a destruição. Mas uma esperança brotou do fundo do meu coração, um brilho a minha frente, perto para os meus olhos, mas longe de minhas mãos. Algo metálico, lindo, emanava uma densa luz amarelada que ofuscava minha vista. A tempestade levava tudo, mas o brilho nem se quer tremia à força descomunal do vento. Fui chegando perto, já podia ver com mais nitidez, o brilho aumentava, era lindo, era...Valentin! Valentin!

    - Ahh! - Acordei de supetão, era um sonho, o mesmo sonho. Ao meu redor nada de destruição, tempestades e nem brilhos estonteantes, apenas meu quarto, e a voz da minha mãe soando ao fundo, me despertando de um pesadelo recorrente.

    Em um lugar afastado do resto do mundo, vivia um jovem de quinze anos, chamado Valentin Reis, que de Rei mesmo tinha só a pretensão. Filho de um pequeno fazendeiro com uma simples moça de família, Valentin tinha o sonho de se tornar alguém importante, nada tão importante quanto o seu sobrenome, mas alguém que fizesse uma diferença no mundo, que fosse lembrado após sua morte. Talvez este seja um começo meio “tétrico” para uma história de aventura, mas eu era assim, alias, para situar o leitor, Valentin Reis sou eu, o narrador.

    Meu pai era um fazendeiro, conhecido como o Sr. Bonifácio, quando não estava cuidando de toda a fazenda, sentava em sua confortável poltrona e alisava os poucos fios de cabelo restantes em sua cabeça. Minha mãe, Dona Anita, uma mulher muito bonita, de olhos verdes, cabelos ondulados e pele morena, cuidava de nossa casa situada em meio a um pequeno pedaço de terra. Não tínhamos escravos, e mais ninguém no Vilarejo tinha, com exceção do Imperador, assim eu e meu pai éramos encarregados de manter o curral em ordem, cuidar dos pés de café, alimentar as galinhas, dar água ao cavalo e enfim, o tempo que sobrava para um jovem como eu gastar, era mínimo.

    Eu acabara de sair da minha infância, estava na fase onde você ainda gosta de brincar, mas certas brincadeiras já perderam a graça, você começa a prestar mais atenção nas garotas, fica preocupado com a aparência. Acho que todos que passaram por esta fase sabem do que estou falando.

    Eu não era muito alto, tinha uma altura suficiente para espiar as garotas tomando banho no rio por cima dos arbustos. Meus cabelos lisos, escorridos por trás das orelhas, davam-me um ar ainda mais jovial. Por de trás de meus olhos cor de mel havia muita curiosidade, eu era ágil para pensar e responder, mas ainda mais veloz para fazer perguntas. A vida era um mistério, minha cabeça vivia cheia de duvidas estúpidas, o porque disto, o porque daquilo, e de tanto atormentar meu pai com perguntas, certo dia ele me respondeu:

    - Porque você não vai atrás de conhecimento? Conhecimento de verdade, cultura! Não adianta você me perguntar porque o céu é azul ou porque o leite é branco se a água que a vaca bebe é transparente. Você já não é mais criança e eu gostaria que você se interessasse por algo inteligente. Amanhã verei se te arrumo alguns livros.

    - Livros? - Quando o Imperador Viktor Honorato declarou-se dono de tudo, aboliu os livros de todo Vilarejo, sabendo ser a ignorância, a melhor arma para se obter uma dominação sem qualquer forma de rebeldia.

    - Eu tenho os meus esquemas! - Disse ele, sentando em sua velha poltrona, e fitando-me severamente, como eu já conhecia.

    - Vou te falar uma coisa, Valentin... - Quando ele começava com esta frase, eu já me preparava para o sermão. Erguia levemente sua cabeça com poucos fios de cabelos restantes, e com os braços cruzados, soltava a fumaça prateada de seu cachimbo, por entre os lábios grossos e sua barba rala... -...Você vai crescer, vai ganhar o seu ouro, vai ter terras, fazendas, animais e será um homem muito rico, mas um dia alguém poderá chegar, e lhe tomar tudo, seja um homem, ou a própria Natureza, você irá ficar sem nada. Mas...se você tiver isso aqui...- ele apontou os dois dedos para a própria cabeça, lançando-me ainda um olhar penetrante. - ...se você tiver conhecimento, então poderá conquistar tudo de novo, pois o que faz de você um homem de verdade, não é a capacidade de obter as coisas, mas a capacidade de se refazer a cada tempestade.

    Essa frase pode parecer um tanto piegas, mas acredite, ela ficou martelando em minha cabeça durante toda a minha vida. Alguns dias depois meu Pai chegou em casa com diversos livros na mão, jogando-os para mim sem dizer uma palavra, mas só o seu olhar me dizia tudo. “Aprenda alguma coisa de importante nessa vida!”. Naquela hora eu achava tudo muito chato, eu queria descobrir a vida, conhecer coisas novas, buscar aventuras, não queria ficar em casa enfurnado com um pedaço de papel nas mãos, a curiosidade aflorava em meu peito. Eu era conhecido como Valentinho, gostava de investigar tudo, fazia muitas perguntas a todas as pessoas, e muitas vezes encrencava com quem não apreciasse o meu jeito.

    Bem, isso foi um pouco de mim, e da minha família, mas vou voltar a contar sobre o Vilarejo. A maioria das casas ficavam no centro, e eram bem próximas umas das outras, erguidas desordenadamente. A maioria em forma de bangalôs, todas em madeira, com apenas a estrutura em pedra. Por terem essa forma pontuda e triangular, a maioria das casas eram bem maiores por dentro do que pareciam.

    Ao Norte, no alto do morro, ficava a Igreja, no Centro, havia a mercearia do Sr. Malaquias, a praça e o Ferreiro, o Sr. Eusébio. Ao Sul, a pequena Fazenda do meu pai, a fazenda Reis, e a Fonte de São Pedro. Um grande rio cortava o Vilarejo, o rio das almas, que ganhara o nome devido a uma antiga tradição. Quando homens bons morriam, suas cinzas eram jogadas no rio, para que se transformassem em peixes, e vivessem livres.

    A principal causa de toda a minha curiosidade era a da hipótese de haver um famoso tesouro por debaixo daquelas terras, praticamente todos ali, no fundo, no fundo, sentiam o desejo de sair a procura do tal tesouro, mas ninguém sabia ao certo o que de fato havia abaixo de nossos pés, se era Ouro, Diamantes, Esmeraldas, ou apenas mais terra. O que realmente mexia com as pessoas era simplesmente a ideia, a imaginação de cada um.

    Esta é a grande marca do mistério, mexer com a imaginação, fazer com que as pessoas idealizem o próprio Deus, sem nem se quer saber o que é. O Mistério provoca medo, desconfiança, e nada mais é do que a parte oculta da história, e por isso eu digo, não há mistérios sem curiosidade, não há mistérios na vida, há apenas a ignorância. O mais importante não seria o Ouro e nem os demais, mas sim, a grande satisfação de Descobrir.

    Na Igreja, o Padre Miguel Afonso era quem cuidava de tudo, um velho senhor de 76 anos, de longa barba branca e sua inseparável e muitas vezes mal cheirosa, batina. Apesar do mal cheiro, era um homem de tamanha generosidade, levava água as pessoas que não podiam ir até a Fonte, abençoava todos e ainda cumpria rigorosamente a tarefa de ficar no confessionário. Bem, esta não é uma história feliz, não posso dizer que gostarei de contar-lhes sobre guerras, mortes e massacres, mas gosto de contar a realidade de uma forma subjetiva, onde nem todas as pessoas enxergam os fatos da mesma forma.

    AGUARDE, EM BREVE POSTAREI O PRÓXIMO CAPITULO...

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    http://www.clubedeautores.com.br/book/113453--Destino

    OBRIGADO!

  • NOVIDADES!

    17

    Jan
    17/01/2012 às 20h34

     

    Olá Pessoal,

     

    Depois de tanto tempo, acredito que conseguirei imprimir meu livro, DESTINO, O INICIO DE UMA SAGA, dentro em breve estará em algumas livrarias.

    A continuação já está adiantada, já estou na metade, e acredito que neste ano eu irei terminar também. Esses dois livros farão parte de uma trilogia. Espero que gostem!

     

    Abs

  • DESTINO - O INICIO DE UMA SAGA

    24

    Jan
    24/01/2011 às 20h51

    Olá Pessoal,

    Estou usando este blog para divulgar o meu livro.

    Bem, eu demorei para escrever este livro e estou demorando mais ainda para conseguir publica-lo. Definitivamente o mercado de livros no Brasil é para poucos, então decidi fazer a minha própria divulgação. Aqui vc pode ler uma sinopse, e aos poucos irei postando alguns capitulos. Esta é a campanha Ajude um Escritor!!! huahuhah, estou brincando, espero que gostem do livro!

    Obrigado

     

    DESTINO - CAPA

    Sinopse

    Quantas vezes você já não se perguntou, se tudo o que se passa ou passou em sua vida, é uma coincidência ou obra do destino? Após dezenas de anos, a Irmandade Secreta esta de volta, recriada por ninguém menos que Fausto Jeremias, a lenda das Novas Terras, o unico homem vivo que desafiou o Imperador.É nesta terra distante e desconhecida, controlada por um homem entitulado o Imperador do Mundo, que Valentin Reis lutara ao lado de Fausto, não só contra as forças do tirano, mas contra o seu próprio destino.O Livro conta a trajetória de vida deste ilustre personagem, Valentin Reis, e de todos a sua volta, expondo todos os seus sentimentos, aventuras, paixões, sofrimentos e crenças. Viva cada momento de sua jornada, desde o descobrimento das novas terras, da criação do Vilarejo, da nova mitologia, e das guerras. O Destino traçou o caminho de Valentin, e agora, caberá a ele seguir esse caminho da melhor maneira possivel, ou quem sabe, mudar as linhas da sua historia.

    André Duarte R.

    SOBRE O AUTOR:

    Meu nome é André Duarte Ribeiro, tenho 27 anos, Paulista, Radialista e escrevo desde os 15 anos de idade. Escrevi este livro e agora me empenho na continuação, tentando ao máximo melhorar a forma de contar uma história.

     

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